TEMPORADA DE 17 DE SETEMBRO DE 2005 A 19 DE
FEVEREIRO DE 2006
A GREVE E A FESTA
Atenas 411 a.C. - Atenienses e Espartanos estão imersos em
um terror que parece não ter fim: a Guerra do Peloponeso.
As mulheres já estão cansadas de sofrer pela perda
de seus maridos, irmãos e filhos nos campos de batalha. Para
acabar definitivamente com essa situação, Lisístrata
(a primeira heroína de uma comédia) tem uma brilhante
idéia: vai liderar uma Greve de Sexo, unindo as mulheres
numa revolta sem precedentes. O esforço delas terá
que ser muito forte, principalmente na luta contra seus próprios
desejos sexuais. Combalidos, os guerreiros vão se reunir
para tentar furar a greve ou chegar a algum acordo. Entre jogos
de sedução, disputas e escárnios, vence a sabedoria
feminina!
Lisístrata, de Aristófanes é a primeira grande
obra pacifista da história da qual se tem notícia,
onde encontramos a discussão de temas tão sérios
quanto contemporâneos, como a paz, os direitos da mulher,
a democracia, o amor à pátria e o preço da
guerra.
As comédias antigas tinham como objetivo fazer o público
rir e criticar as instituições políticas e
intelectuais da Atenas daquela época, além de conquistar
o prêmio de melhor comédia dos concursos dramáticos
das Lenéias Atenienses. Nesta peça vários recursos
cômicos foram usados pelo autor, desde a sátira mais
grotesca até a malícia mais sutil, apresentando situações
ridículas, caricaturas de personagens reais, ironias, trocadilhos,
mal-entendidos, exageros e neologismos. As críticas do poeta
atingiam a tudo e a todos: os chefes políticos, a assembléia,
os tribunais e os juízes, os militares, os tragediógrafos,
os filósofos, os velhos, os jovens, as mulheres...
Acreditamos que a melhor forma de ser fiel às intenções
do autor, mantendo seu espírito mordaz, é atualizar
alguns nomes de figuras importantes da época para o nosso
mundo atual. Especialmente o nosso amado Brasil que neste momento
se presta tão bem a comentários sarcásticos
feitos por um artista há mais de dois mil e quinhentos anos.
Aristófanes recorria com freqüência à licenciosidade
e à obscenidade, o que poderia chocar os desavisados. Mas
o grego via o sexo como uma riqueza divina, não como um pecado
ou algo de que devesse ter vergonha. A procriação
era um dever com a natureza e um compromisso com seu povo, além
de ser uma delícia. A Comédia Antiga, assim como todo
o Teatro Grego, nasce da adoração a Dioniso: o Deus
do vinho, das festas, das bacantes e do Teatro.
Convidamos você, caro espectador, a embarcar numa festa. Vamos
evocar juntos nosso passado cultural de milhares de anos e erguer
um brinde ao grande Dioniso. Que em cada espetáculo ele festeje
conosco.
Evoé!
UMA
SUPERPRODUÇÃO SEM UM TOSTÃO
Esse slogan surgiu quando nos deparamos com
tudo que havíamos conseguido levantar para esta produção,
que no peito e na raça pode finalmente existir após
10 anos de sonho e 3 de trabalho braçal. Foi realmente muito
duro conseguir chegar até aqui e estrear já seria
o nosso grande prêmio. Se conseguirmos nos divertir e mais
ainda o público, a vitória será completa. Como
diz o Oráculo às pessoas da nossa equipe: "congregadas
serão respeitadas, dissolvidas serão dissolutas".
Só mesmo a união, a força e principalmente
a coragem deste grupo poderiam realizar um trabalho como esse.
Ficamos felizes de chegarmos vivos! Queremos aproveitar ao máximo
a gana, a ousadia e o despudor que a juventude permitem. Mesmo quando
tentaram nos persuadir a desistir, mantivemos a petulância
de bater o pé, sabendo que só os teimosos percorrem
a trilha até o fim, curiosos para ver onde ela vai dar. Sabemos
também que muita gente boa torceu à beça pelo
nosso sucesso, mesmo que à distância. Sentimos o vento
soprando a nosso favor. Obrigada à toda equipe que resistiu
até o fim e merece todos os louros. Vocês são
maravilhosos! Paulo, você especialmente nasceu para brilhar
e seu talento para ser celebrado. E o que seria do teatro carioca
sem a generosa ajuda de nossos apoiadores? Somos gratos às
empresas e instituições que tanto colaboraram conosco.
Fundamental fazer um chamego dos bons na dupla de mestres que desde
o primeiro momento acreditou em nossas loucuras. Heloísa
e Aurélio, é tão lindo ver pessoas que amam
verdadeiramente seu ofício, que amam as pessoas, que se divertem
criando. A credibilidade que vocês trouxeram para o projeto
nos fez chegar mais longe. E na lista dos "pra sempre"
vem Fabiano, o mágico, que com toda sua cultura e bom humor
nos fez cantar.
Quinet, sem você essa montagem não teria acontecido!
Que o Teatro sempre o receba com todo carinho e respeito que você
merece.
E um afago especial ao mais lindo, que jamais aceitaria uma mulher
submissa (graças a Zeus) e porque ama, deixa a amada livre
para sonhar alto, sabendo os momentos certos de puxar seus pés
para fazê-los tocar o chão.
Muito obrigada a todos!
Beijos,
Gisela.
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