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“O conservatório brasileiro de música são as bandas do interior”. Heitor Villa-Lobos
O projeto Banda Larga - Programa de Atualização para Bandas de Música do Estado do Rio de Janeiro - é um projeto que visa a preservação e o desenvolvimento de um patrimônio cultural do território fluminense: as bandas civis. Para tanto, busca incrementar a formação dos músicos que as compõem, por meio de oficinas que acontecem em diferentes municípios. São cursos intensivos e gratuitos de atualização musical e oficinas de manutenção e reparo de instrumentos, que oferecem os conhecimentos teóricos e práticos fundamentais para o bom desempenho dos conjuntos.
O projeto leva em conta que a banda de música – também chamada de “comunitária” – é um símbolo cultural do Brasil, e que representa uma autêntica vocação fluminense. Pois, apesar de o nome “banda” ter conquistado acepções mais abrangentes no vocabulário contemporâneo, as bandas civis ainda resistem à moda antiga. São conjuntos musicais compostos por sopros e percussão, geralmente formados por músicos amadores, que transmitem de pai para filho os conhecimentos musicais.
A 3ª edição do projeto promoverá, de setembro a novembro de 2011, nove oficinas de música em cinco novos municípios fluminense, distribuídos por todas as regiões do Estado. Nas edições anteriores o projeto passou pelas cidades de Itaperuna, Cabo Frio, Nova Friburgo, Barra do Piraí, Nilópolis, São João de Meriti, Três Rios, Cordeiro, Macaé e Miracema.
No Banda Larga, professores qualificados ministram simultaneamente na cidade, durante uma semana, oficinas que contemplam todas as modalidades presentes numa banda: regência e prática de conjunto, clarineta e clarone, trompete, tuba e bombardino, trombone, flauta e flautim, percussão e bateria e saxofone. Há ainda um nono tema, essencial para a preservação dos grupos musicais: aulas de manutenção e reparo de instrumentos. Cada uma das oficinas tem um total de 30h de aula, distribuídas de segunda a sábado e ao final há sempre uma apresentação com a participação dos alunos e professores.
Podem se inscrever 25 alunos por oficina, com direito a material didático gratuito: apostila e vídeo-aulas, disponíveis em DVD e no sítio da SEC. Este material funcionará também como irradiador, além de apoio à transmissão de conhecimento e capacitação de novos músicos. As inscrições são gratuitas e poderão ser efetuadas a partir de agosto na Secretaria de Cultura do município escolhido ou pela internet, no sítio da SEC.
O Banda Larga é um projeto da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, criação do diretor da Sala Cecília Meireles, João Guilherme Ripper e do diretor da Escola de Música Villa-Lobos, José Maria Braga e que este ano conta com a parceria entre a Associação dos Amigos da Sala Cecília Meireles e a Zucca Produções para sua realização. O projeto tem ainda como parceiros a Associação de Bandas do Estado do Rio de Janeiro, o Instituto VivaMúsica! e as Prefeituras das cidades contempladas pelo projeto.
OBJETIVOS
- Preservar e valorizar as bandas de música como patrimônio imaterial do estado;
- Promover oficinas de regência, com aulas teóricas e práticas de conjunto, e capacitação instrumental em sete instrumentos típicos de bandas de música, além de oficina de manutenção e reparos em instrumentos de sopro, com técnicas básicas de manutenção e pequenos reparos, visando o prolongamento da vida útil dos mesmos;
- Estimular a capacitação dos integrantes de bandas do interior do RJ;
- Promover a melhora qualitativa das bandas já existentes;
- Ajudar na formação de novos músicos, estimulando a transmissão de conhecimento e a capacitação de novos músicos para as bandas do Estado do RJ;por meio do sistema de transmissão de conhecimento;
- Possibilitar a edição e a circulação de um catálogo sobre as bandas de música fluminenses, que lançou luz em algumas pérolas da tradição musical fluminense, como por exemplo a mais antiga banda do estado, a Sociedade Musical Beneficente Euterpe Friburguense, fundada em 1863;
- Garantir a revitalização e preservação desta forma de expressão artística, reconhecida como patrimônio imaterial e parte importante da identidade sócio-cultural do estado e do país.
JUSTIFICATIVA
De tradição renascentista, as bandas de música do Rio de Janeiro nasceram na época da colonização portuguesa. Hoje são 100 bandas catalogadas no Estado, das quais 22 são centenárias e 19 foram reconhecidas como Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro pela Lei 5215 do Governo do Estado, de 02/04/2008.
A maioria dos mestres e instrumentistas, porém, é autodidatas ou tem formação musical incompleta. Por isso é tão importante estimular a capacitação dos integrantes – o que, além de promover a melhora qualitativa das bandas já existentes, também pode ajudar na formação de novos músicos, por meio do sistema de transmissão de conhecimento. Assim, o Banda Larga garante a revitalização e preservação desta forma de expressão artística, reconhecida como patrimônio imaterial e parte importante da identidade sócio-cultural do estado e do país.
O setor precisa de atenção especial. A formação autodidata e incompleta dos mestres e músicos de bandas gera problemas de leitura de partitura, técnica de regência, mau uso do instrumento, má postura e outras deficiências. Essa carência se reflete, ainda, na falta de conhecimento para a manutenção e o reparo dos instrumentos musicais. Estes fatores podem resultar na evasão de músicos, que desistem de tocar, migram para outras bandas, principalmente as militares, ou saem dos municípios em busca de melhores oportunidades, podendo levar ao desaparecimento de algumas destas formações. Até porque a maioria de seus integrantes tem outro trabalho e não recebe nenhuma remuneração das bandas.
Foi para atender a um antigo anseio desses músicos, ajudando a sanar essas deficiências, que a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro criou o Banda Larga – Programa de Atualização para Bandas de Música do Estado do Rio de Janeiro. Assim, o Governo do Estado proporciona troca de experiências e aprendizado para garantir o interesse, a continuidade e o crescimento dessas preciosas instituições musicais.
PÚBLICO ALVO
A estimativa é de que cerca de mil músicos do estado do RJ, de todas as idades e experiências, participem da terceira edição do Banda Larga.
O projeto acontecerá entre setembro e novembro de 2011 em cinco municípios do Rio de Janeiro, escolhidos por serem considerados polos regionais.
Desta forma, o projeto alcança não só moradores das cidades onde acontece, mas pessoas de todo o estado, que se deslocam para lá e recebem do projeto suporte de transporte, alimentação e hospedagem durante a semana das oficinas.
FICHA TÉCNICA
SUPERVISÃO GERAL
João Guilherme Ripper – Sala Cecília Meireles
Wilton Queiroz de Araújo – Associação de Amigos da Sala Cecília Meireles
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
Carlos Belém
CONSULTORIA
Associação de Bandas do Estado do RJ
PRODUÇÃO
Zucca Produções
Direção Geral – Julio Augusto Zucca
Direção Artística – Gisela de Castro
REALIZAÇÃO
Governo do Estado do RJ
Secretaria de Cultura
Governador – Sérgio Cabral
Secretária de Cultura – Adriana Scorzelli Rattes
Superintendente de Artes – Eva Doris Rosental
Coordenadora de Artes Cênicas - Marilda Samico
REFORMA E RESTAURO DA SALA CECÍLIA MEIRELES E AUDITÓRIO GUIOMAR NOVAES

A Sala Cecília Meireles é um espaço dedicado à música de concerto, reconhecida por sua boa acústica e programação de qualidade. Localizada no Largo da Lapa, nº 47, ladeada pelos Arcos da Lapa, construídos em 1723, e pela Igreja Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro, de 1752, a Sala Cecília Meireles integra o chamado Corredor Cultural, região boêmia do centro da cidade, recentemente revitalizada. Anexo à Sala Cecília Meireles, o Auditório Guiomar Novaes comporta 154 lugares e é utilizado principalmente para pequenos recitais e palestras.
O primeiro diretor da Sala, Henrique Morelenbaum, foi também o responsável pela elaboração e acompanhamento da reforma do espaço, onde, anteriormente, funcionara um hotel e um cinema. A Sala iniciou suas atividades oficialmente a 1º de dezembro de 1965, ano comemorativo do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, durante a gestão do Governador Carlos Lacerda. O concerto inaugural teve a participação de Maria Fernanda, filha de Cecília Meireles, que declamou textos da poetisa ao lado de Paulo Padilha, acompanhada pelo violão de Jodacil Damasceno.
Atualmente a Sala está passando por um processo de reforma interna e restauro das fachadas frontal e lateral. Este processo, suportado por projetos culturais realizados pela Associação de Amigos da Sala Cecília Meireles, tem a gestão cultural e financeira da Zucca Produções.
A reabertura, prevista para junho de 2012, trará uma Sala com uma grande janela de vidro no arco do frontão, novas instalações para o público, novos equipamentos internos, as fachadas restauradas e recuperadas, um novo espaço no local do Auditório Guiomar Novaes, além de diversas recuperações e correções de problemas estruturais históricos.
Jornal O Globo - Segundo Caderno - 18/04/2011
ANNA BELLA GEIGER - pesquisa e levantamento do acervo
O projeto consiste na pesquisa, organização e catalogação do vasto acervo de obras de uma das artistas mais relevantes do Brasil. Financiada pela Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, a pesquisa está organizando as informações de suas produções, determinando títulos, datas, suporte/formato, autoria, histórico de exposição, além da localização atual das peças. O produto final esperado é um relatório técnico que consolidará esses dados em um padrão claro e objetivo. Cópias serão destinadas à Superintendência de Artes SEC-RJ e disponibilizadas gratuitamente para consultas. Previsão de lançamento: julho 2011.
Anna Bella Geiger é uma das artistas brasileiras mais conceituadas das últimas décadas, tanto pela inquietação que a levou a experimentar diversos meios, quanto pela qualidade de suas criações. No entanto, até hoje não foi realizada uma catalogação consistente de sua obra. Atualmente seu acervo se encontra espalhado pelo mundo, desorganizado em acervos públicos, privados e na casa da artista.
“ANNA BELLA GEIGER - pesquisa e levantamento do acervo” consiste na primeira etapa do Projeto ABG – Acervo, um projeto que quer manter vivo e acessível ao mundo imagens e informações de suas obras, vídeos e fotos de exposições. Essa pesquisa e catalogação serão totalmente dedicadas ao início do projeto de conservação do patrimônio cultural e artístico de Anna Bella. A partir deste projeto queremos facilitar o acesso ao seu acervo e contribuir para reconhecimento de sua obra.
FICHA TÉCNICA
Autoria das obras e Direção Artística: Anna Bella Geiger
Pesquisadora: Erna Alfaro Saa

O projeto "Linha Reta & Linha Curva" é
um espetáculo teatral baseado no conto homônimo de Machado
de Assis (1839-1908), sem dúvida o maior autor da língua portuguesa
no Brasil.
O conto foi escrito a partir do manuscrito da peça teatral As Forcas Caudinas, escrita em meados de 1860, e tendo sido publicado pela primeira vez no livro Contos Fluminenses. A montagem deste espetáculo brinca com o tempo e apresenta um Machado contemporâneo, fiel ao texto original, mas com trilha sonora e citações de músicas de Roberto Carlos, colocando lado a lado o Rei da Literatura Brasileira e o Rei da Música Popular.
Os personagens Azevedo e Adelaide são recém casados, moradores de Petrópolis, que acolhem com freqüência a visita de amigos. Um deles é Tito, solteirão convicto que acaba de chegar de uma longa viagem. Na casa dos anfitriões, Tito encontra a jovem e bela viúva Emília. A partir daí os dois começam um jogo de sedução e escárnio, disputas e afetos até que chega o momento das verdades sobre a mesa.
A direção é de Dudu Sandroni e o elenco encabeçado por Gustavo Falcão, com Paula Sandroni, Gisela de Castro, Otto Jr., Paulo Hamilton e Gláucio Gomes.
Vencedor do 1º Edital de Patrocínio da Eletrobrás em 2009, sua primeira montagem - uma verdadeira comédia de costumes de época – aconteceu em outubro e dezembro de 2009, em um casarão do início do século passado, situado no bairro do Cosme Velho (RJ).
Em julho e agosto de 2010 o espetáculo fez nova temporada na Academia Brasileira de Letras e vencedor do Edital de patrocínio do Centro Cultural Correios de Recife.

FICHA TÉCNICA
Texto: Machado de Assis
Direção: Dudu Sandroni
Elenco: Gustavo Falcão, Paula Sandroni, Gisela de Castro, Otto Jr., Gláucio Gomes e Paulo Hamilton
Cenografia: Eduardo Roly
Figurino: Patrícia Muniz
Iluminação: Tomás Ribas
Assistente de direção: Alexandre Mofati
Produção Executiva: Cristiano Gonçalves
Trilha sonora: Dudu Sandroni
Arranjos e gravação do piano: Alfredo Sertã – ACR Produções Musicais
Assessoria de Imprensa: Armazém Comunicação
Fotografia de cena: Jaqueline Machado
Fotografia de divulgação: Ah! Fotografia – Adriana Lins e Henrique Pontual
Programação Visual: Manifesto Design – Adriana Lins e Guto Lins
Vídeo-Registro: Raquel Couto - Uirapuru Filmes
Direção de Produção: Júlio Augusto Zucca
Assistente de produção: Luiza Carino
Realização: Zucca Produções
Patrocínio: Eletrobrás


“Rir é Viver” é um projeto do Núcleo de Pesquisas e Criação da Companhia do Gesto que se propõe a levar a centros de acolhimento (abrigos), hospitais, e instituições de atendimento aos idosos, família e crianças um conjunto de ações artísticas contínuas - espetáculos teatrais e oficinas de sensibilização de funcionários.
Em 2008, com patrocínio do grupo Neoenergia, foram dez instituições atendidas. Em cada uma, quatro espetáculos de palhaço se revezaram ao longo de um mês e uma oficina de sensibilização aconteceu simultaneamente junto aos funcionários de cada unidade beneficiada. Em 2009 o projeto foi realizado em outras seis instituições,com patrocínio do Banco Opportunity. Neste ano fez parte do projeto o lançamento do livro "Rir é Viver Imagens", que registrou em fotos de Bruno Poppe e Celso Pereira.
Além de incluir abrigos – segmento, em sua maioria, excluído do roteiro de iniciativas semelhantes - a proposta do Rir é Viver traz outra inovação: as Oficinas de Sensibilização da Convivência dirigidas para os funcionários. Essas oficinas, que também serão realizadas semanalmente, têm como objetivo estimular a criatividade, a descoberta pessoal, a valorização humana e a noção de coletividade, propondo uma renovação na rotina de trabalho. Rir é Viver também visa atingir o interior dos profissionais que lidam com a dura realidade de seus pacientes. A idéia é humanizar o atendimento, sensibilizando e modificando o pensamento dos profissionais de saúde através das técnicas de teatro e circenses, despertando, na verdade, o palhaço que existe em cada um de nós. Entendendo que o palhaço é a representação do que há de mais puro no coração do ser humano e que possibilita o resgate dos valores da infância.
O objetivo fundamental da ação do Rir é Viver é reconstruir as relações humanas dentro dessas instituições, resgatar valores sociais e a auto-estima, simultaneamente, de pacientes e profissionais, gerando um ambiente mais positivo. Um dos resultados indiretos dessa ação será a possibilidade de agilizar a recuperação do doente social a partir de uma atuação mais sensibilizada do profissional que cuida dele.
Companhia do Gesto

A Companhia do Gesto investe na pesquisa continuada de linguagens não habituais, utilizando técnicas de Teatro Gestual, máscaras, clown e cinema, e na produção em grupo para a renovação da cena e construção de uma comunicação ao mesmo tempo brasileira e universal. Desde sua criação em 1986, a Companhia segue as premissas da criação artística em busca do que é essencialmente humano, e mantém, no Rio de Janeiro, um núcleo fixo de atores e produtores em atividade de investigação e de treinamento técnico e corporal contínuos.

A Zucca Produções presta assessoria de projeto cultural, gestão e prestação de contas para o projeto. Conheça mais sobre o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e a Academia Brasileira de Cinema em
www.academiabrasileiradecinema.com.br
Os Sapos é um curta-metragem para salas de cinema com roteiro de Renata Mizrahi e Direção de
Clara Linhart. No elenco, Gisela de Castro, Otto Jr. e Paula Sandroni. Lançamento em 2011.
Movimentos – Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Em 2009 comemorou-se o centenário do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Essa importante efeméride não poderia deixar de ser celebrada, uma vez que é inquestionável o valor dessa instituição como notável difusor da arte e cultura do Brasil e do mundo. Assim, Movimentos é o projeto de um livro fotográfico com o intuito não apenas de celebrar a existência do teatro, mas também de levar ao conhecimento do público em geral a atmosfera dos bastidores e do dia-a-dia do teatro. Através das fotografias de Henrique Pontual e Adriana Lins, o projeto lança um olhar sobre os três corpos artísticos do Theatro: o corpo de baile, o coro e a orquestra. Trata-se de elementos complementares, pois é através desses três vértices que se faz possível o espetáculo.
O projeto contou com a aprovação e o apoio institucional do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e da Associação de Amigos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Patrocínio do Governo do Estado do RJ.
A próxima etapa será a realização de exposição com as fotografias do livro, em uma montagem com uma cenografia que aproxime o espectador do universo do theatro Municipal.
FICHA TECNICA
Idealização do projeto – Ah! Fotografia
Produção fotográfica – Adriana Lins e Henrique
Pontual
Curadoria técnica – Norma Pinna
Programação visual – Manifesto Design
Textos – Eliana Caminada
Coordenação de projeto – Julio Augusto Zuccca
Realização – Ah! Fotografia e Zucca Produções
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O projeto Geração 00 busca sintetizar as principais linhas de força surgidas na fotografia brasileira em sua produção recente- entre 2001 e 2010.
A primeira década deste século trouxe. por diversos motivos, mudanças profundas na relação do homem com as imagens fotográficas. A expansão e otimização das câmeras digitais, da internet e da telefonia celular, por exemplo, aumentaram exponencialmente a produção e a velocidade da circulação das fotografias.
Tal fato colaborou para uma espécie se desnudamento do jogo fotográfico: embora teóricos já alertassem há tempos, foi a partir da massificação que a fotografia revelou sua dualidade ao grande público. Realidade e ficção, afinal, sempre haviam sido indissociáveis.
Essa desmontagem da trama que se oculta sob qualquer fotografia, em vez de desestabilizá-la, expandiu-a. Como mostram os artistas e coletivos presentes em Geração 00, a discussão sobre manipulação, veracidade e banalização que dominou a última década levou a um grau de reflexão sobre a fotografia que resultou, ao final, em mudanças paradigmáticas tanto no campo experimental e artístico como no campo documental, inclusive tornando tênue o limite entre esses campos. A crise anunciada gerou, na verdade, um grande e fecundo laboratório de experimentações.
O presente projeto propõe o recorte do projeto GERAÇÃO 00 denominado DOCUMENTAL IMAGINÁRIO, NOVO FOTOJORNALISMO. Nesta mostra, em cartaz no Sesc Belenzinho/SP até o dia 12/06/2011, priorizaram-se documentaristas que incorporaram, a partir de novas premissas, ética e estética inéditas. Surgem daí atmosferas cinematográficas e o empréstimo de um instrumental da fotografia publicitária para a atribuição de símbolos universais ao relato das questões sociais.
Com forte acento autoral, o “documento” que se pretende nesse campo da fotografia torna-se mais dialético e menos assertivo. Fotojornalistas que hoje são autônomos e passaram a dominar todas as etapas do trabalho, reconfigurando o papel de sua profissão, também compõe essa mostra.
A exposição é composta por cerca de 110 fotografias de diversos formatos e 4 vídeos é integrada pelo seguintes artistas/coletivos:
Bárbara Wagner |
Rodrigo Albert |
Breno Rotatori |
Pedro David |
case Reporter cidadão OESP |
Alexandre Sequeira |
Cia da Foto |
Pedro Motta |
Galeria Experiência |
Guy Veloso |
Jessica Mangaba |
João Castilho |
Marie Anges Bordas |
Anderson Schneider |
Tuca Vieira |
Coletivo Garapa |
Justificativa
Nesta primeira década do século XXI o fazer fotográfico foi substancialmente alterado tanto pela chegada das câmeras digitais, da circulação das imagens na internet e os softwares de edição, além de outros aparatos que surgiram com as novas tecnologias criadas pela indústria na década anterior e foram otimizados nesta, bem como pelo novo estatuto que a imagem fotográfica adquiriu ao ganhar um crescente espaço nas grandes mostras de arte pelo mundo, no mercado de arte ou nas várias faces que a fotografia utilitária assumiu ao atender as necessidades de um mercado que também se renovou.
A decorrência mais visível desse processo foi o da fotografia que refletiu seus cânones, caminhando em novas direções, na imbricação com outras linguagens como o vídeo, a gravura, a pintura, a internet, abrindo-se para novas possibilidades de abordagens do mundo visível. A inquietação pautou a produção dos novos, e de alguns artistas mais tarimbados, que renovaram seus trabalhos a partir dessas premissas.
Com a idéia da fotografia como espelho do real, que a restringia ao mero exercício da documentação, definitivamente debelada após a disseminação do pensamento de teóricos como Roland Barthes, Wilhem Flusser, Susan Sontag, Boris Kossoy e Joan Fontcuberta, entre outros, corroborou para que esse momento propiciado pelas novas tecnologias frutificasse numa nova assertiva para o registro fotográfico, colocando-o definitivamente como uma linguagem capaz de narrar e forma enfática o não visível, o sensorial e as subjetividades do homem contemporâneo.
A fotografia brasileira, em particular, ganhou espaço além fronteiras com artistas como Rosângela Rennó, Caio Reisewitz, Eustáquio Neves, Cris Bierrenbach, Miguel Rio Branco, Rubens Mano, Cássio Vanconcelos, Odires Mlászho, Luiz Braga, Claudia Andujar, Amilcar Parker, Rogério Cannela, entre muitos outros que oscilam entre experimentações que renovam a produção nacional seja nas questões formais da arte, assim como no novo documentarismo, que surgiu a partir de questionamentos da noção de verdade, autoria e ficcionalidades inerentes a essa nova visualidade do mundo.
Ampliada em papel fotográfico ou em jato de tinta com uma variação imensa de novos papéis, lonas, plásticos. Projetada na parede, na tela, no LCD. Editada em programas que criam seqüências que interagem com o movimento do cinematógrafo, manipuladas até a exaustão do referente ou aplicadas a outras linguagens, essa nova fotografia, que alguns chamam de contaminada, expandida e outros adjetivos, ao romper com a referência bem comportada ao realismo, corrompeu também os suportes e suas funções.
Como diz o pesquisador Rubens Fernandes Junior “podemos afirmar que a fotografia foi a arte mais reinventada nos últimos 160 anos. Por nunca ter admitido sua estabilidade técnica e por sempre buscar atender ao imediatismo do mercado, a fotografia buscou a expansão como forma de sobrevivência”.
Objetivos
- Realizar um mapeamento da fotografia brasileira produzida na década de 2000, especificamente na categorias documental.
- Fazer uma exposição e concomitante uma série de debates, com críticos e curadores.
- Desenvolver junto com o setor educativo atividades que possam aproximar de forma didática o público desta nova fotografia brasileira.
Ficha Técnica
Curadoria – Eder Chiodetto
Assistente de Curdoria – Marie Eve Hippenmeyer
Museografia – Marta Bogéa
Assistente de Museografia – Marcus Vinicius Santos
Desenho de Luz – Alessandra Domingues
Programação Visual – Tecnopop
Produção – Zucca Produções
Assessoria de Imprensa – Armazém Comunicação
Patrocínio – Oi / Lei Estadual de Incentivo à Cultura
Eder Chiodetto
Nascido em São Paulo, em 1965, Éder é jornalista, fotógrafo e mestrando em Comunicação Social na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, com pesquisa sobre Fotojornalismo.
Atualmente atua como curador do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM-SP, onde realizou a curadoria da exposição “Veracidade” (2006). Atua também como crítico de fotografia no jornal Folha de S.Paulo onde foi repórter-fotográfico (1991 a 1994) e editor de fotografia (1995 a 2004).
Como curador realizou ainda as mostras “Derivas”, na galeria Vermelho, em 2004 e as mostras de Helga Stein e Rodrigo Braga, em 2006, e de Alexandre Sequeira e José Frota, em 2007, para o projeto “Portfólio” do Instituto Itaú Cultural. Ainda em 2007 realizou a curadoria de “Casas do Brasil”, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo.
É autor do livro “O Lugar do Escritor” (2002), vencedor do prêmio Jabuti em 2004, lançado pela Cosac Naify. Nesta editora Chiodetto atualmente coordena a edição da coleção de livros de fotografia “FotoPortátil”, entre outros títulos. Este ano Chiodetto foi o curador convidado do Prêmio Porto Seguro de Fotografia e da Semana de Fotografia Fnac/Fotosite.
Imagens da exposição no Sesc Belenzinho
Entrada

Guy Veloso

Cia da Foto

Breno Rotatori

Marie Anges Bordas

Bárbara Wagner

João Castilho, Pedro David, Pedro Motta

Alexandre Sequeira

Anderson Schneider

Rodrigo Albert

Coletivo Garapa (vídeo ao fundo)

case Reporter cidadão OESP



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